Eu coleciono conceitos demais. E eles me aprisionam.
Eu coleciono exageros demais. E eles me aprisionam.
Onde está a linha que separa a sensata autopreservação da covardia? Que separa o meio-termo da protelação inútil? No fundo a gente sempre sabe o que é certo fazer. E no fundo a gente sabe o que a gente deseja de verdade...
Mas o que fazer quando o que a gente deseja não é exatamente o que é certo? Como controlar os dados moralistas que balançam nossas cabeças?
Sinta.
Viva.
Eu penso demais antes de fazer.
Eu faço demais antes de pensar.
Cadê o meio termo que estava por aqui antes de você chegar?
"Go make your next choice be your best choice"
Terça-feira, 9 de Junho de 2009
profile 09
Eu costumo me jogar de cabeça, aproveitando ao máximo cada segundo antes de me esborrachar no chão.
Fato 1º: Às vezes o chão está muito perto e eu não aproveito porcaria alguma.
Fato 2º: Às vezes o chão nem existe. Você tem ideia de como é bom sentir-se em queda livre?
Eu gosto do risco.
Fato 1º: Às vezes o chão está muito perto e eu não aproveito porcaria alguma.
Fato 2º: Às vezes o chão nem existe. Você tem ideia de como é bom sentir-se em queda livre?
Eu gosto do risco.
Sábado, 6 de Junho de 2009
Fortalezas só existem em situações ideais. Quando há um conjunto de características nos ambientes e nos dias que não arranham seus calcanhares de Aquiles. Com seus peitos estufados, cheios de ar, eles bradam aos quatro cantos sobre suas forças e suas irredutibilidades. Sobre o poderio de suas personalidades e sobre suas valiosas opiniões, sem tentar mascarar as intolerâncias que são cultivadas com essas concepções sobre si mesmos e seus reinados superiores em um mundo de vulgares.
Mas basta um fio fora da linha imaginária que traça suas vidas. Um deslize amoroso. Uma decepção em relação a pessoas com quem eles realmente se importam. Que um plano muito desejado e bem planejado seja fortemente frustrado. E toda fortaleza sucumbe... Como pedras arremessadas do vigésimo andar.
Algo que é inabalável apenas em situações ideais não é minha concepção sobre o que é uma Fortaleza. Fortalezas não existem. Somos bilhões de castelos de palha vagando pela Terra. A diferença está simplesmente na melhor capacidade de alguns em convencer os outros de que suas palhas na verdade são cabos de aço.
A vida é um teatro vagabundo.
Mas basta um fio fora da linha imaginária que traça suas vidas. Um deslize amoroso. Uma decepção em relação a pessoas com quem eles realmente se importam. Que um plano muito desejado e bem planejado seja fortemente frustrado. E toda fortaleza sucumbe... Como pedras arremessadas do vigésimo andar.
Algo que é inabalável apenas em situações ideais não é minha concepção sobre o que é uma Fortaleza. Fortalezas não existem. Somos bilhões de castelos de palha vagando pela Terra. A diferença está simplesmente na melhor capacidade de alguns em convencer os outros de que suas palhas na verdade são cabos de aço.
A vida é um teatro vagabundo.
Sexta-feira, 5 de Junho de 2009
Mais do Mesmo
Resolvi experimentar um pouco de mais do mesmo. Só para me lembrar de que não seria diferente se eu ficasse um pouco mais. Ou simplesmente deixasse de ir. Um pouco mais daquele gosto azedo de paixão barata de boteco de esquina, regada a cegueira regional e imaturidade, que no fim some no fundo da caixa de lembranças mal guardada debaixo da cama.
Matemática é uma ciência poderosa. E em relação a isso até o idiota do meu gerador paterno era, de certa forma, correto.
Matemática é uma ciência poderosa. E em relação a isso até o idiota do meu gerador paterno era, de certa forma, correto.
Quarta-feira, 3 de Junho de 2009
Ela estava distraída com o seu próprio brilho e não percebeu que ele apenas colocara os pés sobre a mesa de centro enquanto cruzara os braços. Ele não parecia inseguro ou receoso. E também não parecia disposto a pagar o preço que ela começara a cobrar autoritariamente. Mas ela não notou. Apenas continuou falando sobre o que deveria ser feito ou não em nome do que teoricamente ele muito queria e ela pouco precisava. E ela arrumava os cabelos e olhava para o teto, sorrindo ludibriada por uma falsa superioridade, andando de um lado para o outro, gesticulando arbitrariamente com as mãos.
E ele? Bem... Ele esperou o fim das frases. Sem nada dizer. Sem nada fazer. E quando ela silenciou-se triunfante, ainda olhando para o nada, ele apenas se levantou e se aproximou. Deu-lhe um beijo na testa e calmamente falou, quase sussurrando:
- Se você quer alguém que tenha os pés no chão e faça por onde merecer, tire os seus das nuvens e aprenda sobre a não sutil diferença entre ter um amor e ter um fã. Eu não sou um fã. E, a partir de hoje, também não sou o seu amor. Cuide-se...
E saiu, caminhando lentamente, com as mãos nos bolsos. Sem ao menos voltar a olhar para trás e vê-la, estática, com os olhos arregalados.
E ele? Bem... Ele esperou o fim das frases. Sem nada dizer. Sem nada fazer. E quando ela silenciou-se triunfante, ainda olhando para o nada, ele apenas se levantou e se aproximou. Deu-lhe um beijo na testa e calmamente falou, quase sussurrando:
- Se você quer alguém que tenha os pés no chão e faça por onde merecer, tire os seus das nuvens e aprenda sobre a não sutil diferença entre ter um amor e ter um fã. Eu não sou um fã. E, a partir de hoje, também não sou o seu amor. Cuide-se...
E saiu, caminhando lentamente, com as mãos nos bolsos. Sem ao menos voltar a olhar para trás e vê-la, estática, com os olhos arregalados.
Terça-feira, 2 de Junho de 2009
rotten.
Como pontos amarelados que timidamente marcam presença na terra seca, as controvérsias começam a brotar. Nada surpreendente, este é o único tipo de planta que pode ser cultivada quando esquecemos de adubar e molhar o solo. E, não obstante todo o descaso que recebi como retorno por ter-lhe oferecido uma sutil segurança, você ainda negou-me luz.
Não é preciso maestria alguma para perceber o óbvio futuro quando negamos a um jardim tudo aquilo de que ele necessita para manter-se vivo. Certo dia, quando acordarmos nossos olhos viciados pela tal segurança e observarmos o que teoricamente seria o nosso belo horto sentimental, com suas flores, pássaros e cores, encontraremos apenas terra pobre e mato seco, amarelado, feio, inerte, sem graça.
Como pontos amarelados, as controvérsias começam a brotar... E qualquer jardineira amadora saberia que esta não seria a melhor hora para confiar na sorte e esperar que uma chuva milagrosa caia e faça todo o seu trabalho.
Não é preciso maestria alguma para perceber o óbvio futuro quando negamos a um jardim tudo aquilo de que ele necessita para manter-se vivo. Certo dia, quando acordarmos nossos olhos viciados pela tal segurança e observarmos o que teoricamente seria o nosso belo horto sentimental, com suas flores, pássaros e cores, encontraremos apenas terra pobre e mato seco, amarelado, feio, inerte, sem graça.
Como pontos amarelados, as controvérsias começam a brotar... E qualquer jardineira amadora saberia que esta não seria a melhor hora para confiar na sorte e esperar que uma chuva milagrosa caia e faça todo o seu trabalho.
Segunda-feira, 1 de Junho de 2009
Seus problemas, e dores, e obstáculos, e frustrações, e faltas de sorte podem ser imensamente insuportáveis em determinados momentos. E é nessas horas que você se pergunta se vai conseguir continuar. Se vai, ou se ainda quer brigar para continuar em pé. Você vai ao inferno e volta algumas vezes em uma só noite, envelhecendo anos por minuto. Odiando. Temendo. Desesperando-se.
Mas quer saber? Basta dar uma volta e você achará uma pá de pessoas que farão com que sua imensa dor pareça apenas uma agulhada na ponta do dedo... Pessoas estas que venceram batalhas tão grotescas que fariam a sua guerra soar briga de travesseiros entre lolitas em capa de revista adolescente.
E apesar do ditado que diz que “quem come prego é que sabe o cu que tem”, você continuará sentindo-se um tanto quanto desconfortável por ter pensado em desistir por uma determinada situação que poderia ser o melhor dia da vida dessas pessoas.
Você está na lama, mas você está vivo. Pare de se lamentar e faça bom proveito do que a vida ainda pode lhe oferecer. Afinal, quanto tempo você ainda possui?
Mas quer saber? Basta dar uma volta e você achará uma pá de pessoas que farão com que sua imensa dor pareça apenas uma agulhada na ponta do dedo... Pessoas estas que venceram batalhas tão grotescas que fariam a sua guerra soar briga de travesseiros entre lolitas em capa de revista adolescente.
E apesar do ditado que diz que “quem come prego é que sabe o cu que tem”, você continuará sentindo-se um tanto quanto desconfortável por ter pensado em desistir por uma determinada situação que poderia ser o melhor dia da vida dessas pessoas.
Você está na lama, mas você está vivo. Pare de se lamentar e faça bom proveito do que a vida ainda pode lhe oferecer. Afinal, quanto tempo você ainda possui?
Segunda-feira, 25 de Maio de 2009
UL
Em uma tarde nublada não muito longe daqui, uma chuva delicada cai sobre o campo aberto, molhando nossas faces. Mas meus olhos não hesitam na água... Eles continuam focalizando você, andando graciosamente no horizonte. Aproximando-se vagarosamente. O tempo passa sem pressa, cedendo espaço para que possamos decidir sobre continuar ou fugir. Para que possamos medir, pesar e julgar o que não pode ser medido, pesado ou julgado. E nossos receios possam vencer ou ser vencidos antes da próxima aproximação.
Mas eu continuo imóvel, com as mãos nos bolsos e um meio sorriso de lábios fechados. Sentindo o frio e fraco vento tentar inutilmente esfriar meu rosto. Você sorri. Balança a cabeça e acena com as duas mãos. Seu vestido fino, umedecido pela chuva, dança belamente como um pêndulo hipnótico. E aos poucos eu compreendo que estou me viciando nesta imagem: A relva verde musgo sob seus pés. O céu maravilhosamente fechado sobre seus cabelos escuros. A chuva rala escorrendo em sua pele. E você... Sorrindo por me ver esperando.
E então eu percebo o óbvio.
E eu me sinto bem... Como há tempos não sentia.
Mas eu continuo imóvel, com as mãos nos bolsos e um meio sorriso de lábios fechados. Sentindo o frio e fraco vento tentar inutilmente esfriar meu rosto. Você sorri. Balança a cabeça e acena com as duas mãos. Seu vestido fino, umedecido pela chuva, dança belamente como um pêndulo hipnótico. E aos poucos eu compreendo que estou me viciando nesta imagem: A relva verde musgo sob seus pés. O céu maravilhosamente fechado sobre seus cabelos escuros. A chuva rala escorrendo em sua pele. E você... Sorrindo por me ver esperando.
E então eu percebo o óbvio.
E eu me sinto bem... Como há tempos não sentia.
UL
Em uma tarde nublada não muito longe daqui, uma chuva delicada cai sobre o campo aberto, molhando nossas faces. Mas meus olhos não hesitam na água... Eles continuam focalizando você, andando graciosamente no horizonte. Aproximando-se vagarosamente. O tempo passa sem pressa, cedendo espaço para que possamos decidir sobre continuar ou fugir. Para que possamos medir, pesar e julgar o que não pode ser medido, pesado ou julgado. E nossos receios possam vencer ou ser vencidos antes da próxima aproximação.
Mas eu continuo imóvel, com as mãos nos bolsos e um meio sorriso de lábios fechados. Sentindo o frio e fraco vento tentar inutilmente esfriar meu rosto. Você sorri. Balança a cabeça e acena com as duas mãos. Seu vestido fino, umedecido pela chuva, dança belamente como um pêndulo hipnótico. E aos poucos eu compreendo que estou me viciando nesta imagem: A relva verde musgo sob seus pés. O céu maravilhosamente fechado sobre seus cabelos escuros. A chuva rala escorrendo em sua pele. E você... Sorrindo por me ver esperando.
E então eu percebo o óbvio.
E eu me sinto bem... Como há tempos não sentia.
Mas eu continuo imóvel, com as mãos nos bolsos e um meio sorriso de lábios fechados. Sentindo o frio e fraco vento tentar inutilmente esfriar meu rosto. Você sorri. Balança a cabeça e acena com as duas mãos. Seu vestido fino, umedecido pela chuva, dança belamente como um pêndulo hipnótico. E aos poucos eu compreendo que estou me viciando nesta imagem: A relva verde musgo sob seus pés. O céu maravilhosamente fechado sobre seus cabelos escuros. A chuva rala escorrendo em sua pele. E você... Sorrindo por me ver esperando.
E então eu percebo o óbvio.
E eu me sinto bem... Como há tempos não sentia.
Sexta-feira, 22 de Maio de 2009
Agora há um tom diferente nas paredes do seu quarto. E há aquele antigo cheiro de falta de tempo e certeza de um fim que não se deseja, que tantas vezes ele já desfrutou. E há a vontade de continuar, sabendo que essa não seria a coisa racionalmente certa a se fazer – E talvez por isso ela exista, pelo gosto da contradição, do oposto.
Dizem que tudo pode mudar com o tempo, inclusive os pensamentos mais irredutíveis e as relações mais concretas. Eu hoje acredito nisso. Mas também acredito que muitas coisas, desejos e manias, apesar de permanecerem adormecidos por anos, voltam como de costume. E, também como de costume, eu quero aproveitar cada centímetro do que me é oferecido, sem receios sobre o que poderá acontecer depois.
E então ele abriu a mão esquerda e deixou que os dados rolassem pela mesa. Mas antes de olhar o resultado ele vestiu o seu melhor sorriso e saiu, com a certeza de que os números do acaso não mudariam em nada sua decisão.
I want more.
Dizem que tudo pode mudar com o tempo, inclusive os pensamentos mais irredutíveis e as relações mais concretas. Eu hoje acredito nisso. Mas também acredito que muitas coisas, desejos e manias, apesar de permanecerem adormecidos por anos, voltam como de costume. E, também como de costume, eu quero aproveitar cada centímetro do que me é oferecido, sem receios sobre o que poderá acontecer depois.
E então ele abriu a mão esquerda e deixou que os dados rolassem pela mesa. Mas antes de olhar o resultado ele vestiu o seu melhor sorriso e saiu, com a certeza de que os números do acaso não mudariam em nada sua decisão.
I want more.
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