sábado, 28 de novembro de 2009

doses diversas




Ignore o que a vida toca e dance sua própria música. Ignore os que traíram você. Ignore os que abriram mão da verdade e o jogaram no chão. Que diferença faz? A vida é cruel, não importa o que você faça. A vida é boa, não importa o que você faça. Momentos bons e momentos ruins sempre existirão, é preciso saber lidar com eles da melhor maneira. Ou você terá que desistir de ser quem você é e dançar conforme a música que você não escolheu. Ser apenas uma marionete pseudo-cool brincando de engolir troncos em filmes pornográficos produzidos em casas abandonadas do subúrbio brasileiro.

Sirva outra dose, por gentileza, senhorita... Hoje a noite será longa e eu não pretendo encará-la da maneira mais realista possível.

Quer dizer então que todo mundo é comprável? Eu gosto da palavra lealdade. E gosto das premissas que contornam seus significados. Mesmo que isto signifique várias garrafas cheias em uma varanda vazia enquanto várias cabeças vazias fazem uma festa cheia. Eu não vim até aqui para brincar de ignorar meus valores. Não joguei fora a boa vida de bosta que me ofereceram, em nome da minha liberdade, para me sentir preso pela falta de caráter daqueles que ignoram as conseqüências das escolhas que fazem.

Mais outra dose, mulher. Não demore, eu não gosto de esperar.

Aumente o volume. Eu ainda consigo me escutar daqui e não pretendo perder meu tempo ouvindo quem não tem nada de bom a dizer. É preciso fechar os ouvidos, a humanidade defeca pela boca quando o assunto é confiança. Não seja infantil, você não pode combater o mundo, mas o mundo pode combater você. Seja adepto, conivente, podre, perdido, majestosamente hipócrita. Não há nada mais a se fazer por aqui... Pegue seus trapos, seu idiota. Não perca seu tempo conosco, não temos nada de bom para oferecer a você. Apenas trapaças, traições, mentiras, compridas promessas que nunca serão cumpridas. Somos políticos, queremos barganhar a sua alma e garantir nosso lugar nos céus.

Sirva outra dose, sua puta.
E apenas dance e tudo ficara bem, como costumava ser.
E...
E...
E...
Fechem as janelas e respirem...
Percebam, portanto: O cheiro ruim não vem lá de fora, da rua. Vem daqui de dentro, de nós mesmos. Inspire profundamente sua própria alma com cheiro de esterco... É o que os sábios dizem quando pregam “conheça a ti mesmo”.

Outra dose.
Outra ordem.
Outra queda.
Outra saída, por favor.

Onde ficam as portas dos fundos?

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

think, Leandro. think!




É estranho observar as pessoas destruindo o mundo em volta em nome de paixões ou amores que cegam.

Todos conhecem o fim dessas histórias: Eu não deveria ter feito assim e, na verdade, não entendo como fui entrar em uma situação dessas... de novo.

Mas do que adianta chorar leite derramado? Os mortos continuarão mortos e os que não morreram, mas resolveram se afastar, dificilmente voltarão a se aproximar.

Não podemos escolher pelas pessoas.
Podemos apenas instruí-las, alertá-las, e torcer para que percorram o melhor caminho por si próprias.

E se não percorrerem? Assuma para si mesmo que a vida é assim, pegue seus trapos e vá embora.


Não podemos escolher pelas pessoas.
Mas podemos escolher sobre sermos ou não coniventes com o que elas escolhem.

Think about it.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

now, breaking love fail




De verdade...
Vocês realmente esperavam correr com sinos amarrados nas pernas, deixando marcas de lama por todo o corredor, sem que ninguém os percebesse?

Eu preciso sair daqui.

domingo, 22 de novembro de 2009

Não me olhe assim, como quem procura alguém para culpar. Eu não vim aqui para ser seu capacho e lhe trazer alívio. Não vim para ser porta voz das suas conquistas ou um estúpido degrau para que você alcance seus objetivos de merda nessa sua vida de merda. Esvazie seus pulmões e mantenha seu nariz abaixo dos seus olhos, eu não faço parte da horda que alimenta seu reinado ridículo. Se você deseja conversar de homem para homem é bom largar todas as armas usadas para amedrontar todos que arriscam contrariá-lo. Talvez assim poderemos chegar a algum lugar. Mas se você prefere segura-las à sua frente, dissimulando poder, venha preparado. Eu não sou covarde como você...

Menos ameaças e mais ação, por favor.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

E se eu conseguisse lhe mostrar que há um modo novo de construir as velhas coisas que estavam por aqui, entre você e eu...
Um modo em que poderíamos impedir que nossa ingenuidade romântica pensasse que poderíamos abrir todas as torneiras sem esgotar rapidamente os bons sentimentos que nos trouxeram para cá. Onde não mais acreditaríamos que nossa sede impiedosa não secaria a fonte, como a secou, deixando-nos morrer lentamente sobre nossos planos frustrados e mantendo nossas mágoas abertas, na espera de uma chuva para aliviar as feridas e nossas cabeças e que nunca caiu...

E, se eu prometesse que não mais seríamos feitos de aço e palha, e que não mais observaríamos, impotentes pelo orgulho infantil, o brilho ausentar-se dos nossos olhos, a doçura dissipar-se das nossas palavras e a sutileza ser esquecida em qualquer toque das nossas peles...

E se eu a perdoasse pela leviandade com quem mantivera minha solidão cuidadosamente viva, fortalecendo minhas carências e, consequentemente, o controle sobre minha vida?
E se eu pedisse perdão por manipular suas vontades e desrespeitar seus limites em nome da minha cólera mal mastigada e do meu tédio adolescente?
E se eu pedisse perdão por ignorar as lágrimas causadas pelo meu glacial espírito, que tantas vezes banharam seu rosto e consumiram suas noites, tornando-as similares às minhas?
E seu admitisse os atrasos e as traições. As mentiras e as omissões. As cartas escondidas nas minhas mangas que sempre me mantiveram efetivamente seguro contra suas presumíveis mudanças de planos?
E se eu derrubasse os muros e, com eles, todos os temores, traumas e as rotas de fugas fossem ao chão...?


Quais seriam as minhas intenções, você pergunta, insegura... E eu seguro suas mãos e respondo que achei você e que isto muda tudo. Que me agrada a ideia de abandonar o leque das possibilidades para fortalecer uma mesma possibilidade todos os dias... Ter você.

Você se silencia, com os olhos bem abertos a me fitar, séria, incredulamente maravilhada. E agora sou eu que pergunto: Quais seriam nossas novas chances por aqui?

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Chegaram seus exames!

O consultório provavelmente estará mais frio que o normal. Ou mais quente, na verdade não importa a temperatura, desde que incomode você. E nessa tarde, apesar da aparente tranquilidade com que você esteve lidando com tudo até agora, seu coração parecerá o de um virgem adolescente olhando as bundas na Banheira do Gugu. E não adiantará respirar profundamente, contando até dez, usando técnicas budistas, de ioga, freudiana, ou todas juntas. Ele continuará batendo freneticamente, colocando em dúvidas todas as lógicas biológicas que você aprendeu no ensino fundamental.

A cadeira também estará desconfortável. Dura demais. Macia demais. E o médico sempre terá que “resolver uma coisa rápida” antes de sentar-se para conversar com você. E enquanto ele “resolve” essa coisa, talvez ele passará uma ou duas vezes pela sala em que você estará e fará perguntas cretinas como “e o vascão ontem, hein?” ou “esse ar-condicionado ta uma droga, né?” e sairá novamente. E você continuará lá, variando as cruzadas de perna como quem precisa escolher uma para usar o resto da vida dentre as mil variações existentes. E suas mãos não ficarão quietas. Não adiantará tentar controla-las. Elas às vezes serão baquetas. Às vezes teclarão em um teclado invisível sobre a mesa. Às vezes analisarão todas as curvas das superfícies ao seu alcance, incluindo as bordas dos seus próprios sapatos. E você analisará com um interesse débil todas os escritos do local, incluindo descrições de produtos interessantíssimos, como almofadas de carimbo e caixa de clipes de papel.

E então, finalmente, ele entrará. Imponente. Dono do espaço. Com controle sobre tudo no momento, até mesmo sobre sua vida. Você verá tudo em câmera lenta, sua respiração parará, o som ambiente cessará e cada passo daqueles sapatos brancos gastos, porém limpos, parecerá batida em um tambor de madeira gigante. Ele se sentará, sorrirá, pedirá desculpas pela demora e apertará a sua mão. O som ambiente retornará na mesma hora. Seu coração voltará a bater, sua respiração voltará a fluir. Mas não adianta a pressa. O médico fingirá que você não está ansioso – ou a demora é uma tentativa de acalmar os ânimos? – e começará com alguns comentários óbvios e até ingenuamente mentirosos, do tipo “vamos ver estes resultados” como se ele já não os tivesse visto, já que o lacre já estava claramente rasgado quando você chegou.

Pois bem, está é a parte principal, o momento X da questão. É a parte da notícia e o que acontece nela. O momento crucial por qual você, como todos, nunca imaginou que passaria: O médico irá ler todos os laudos. Olhará novamente os outros exames – e nesta hora aquele sorrisinho maroto de quem fala sobre futebol já terá sumido – e apertará os lábios um no outro, sobriamente, antes de olhar para você.

Meus amigos, nesta hora eu lhes digo. Quando isso acontecer, se isso acontecer, não se iludam, não há preparativos. Não adiantará filosofar. Ou catar frases de bom gosto, efeito-moral, grandes sabedorias históricas, científicas, religiosas ou das memórias do vovô. Quando algum profissional da saúde olhar para você, com aquele semblante de “estou com uma bomba atômica na mão, meu caro, prepare-se!” e de maneira sorrateira, ágil e baixa, como quem deixa seguramente, racionalmente escapar um segredo, disser “você tem câncer” você vai desabar.

Mas você pode até ser um bom ator, e convencer o médico e a si mesmo de que lidou bem com a notícia. Poderá não desabar na frente dele. Poderá não desabar na frente do seu amigo que está ao lado ou esperando na outra sala. Ou por telefone com sua mãe que está com o coração na boca e um terço na mão. Mas você irá desabar. Sozinho no banheiro. Trancado no quarto. Entre os fumês do carro, no meio do trânsito. Ou horas depois, quando terminar as ligações, a choradeira alheia em companhia do seu fingimento de que “está tudo sobre controle...”.

E você aprenderá que homem não só chora, como chora feito criança com joelho esfolado no asfalto. E não por dois minutos... Não por cinco minutos... A coisa vai demorar. Vai doer, fazendo com que aquele término de relacionamento pareça passeio em parque de diversão. Você vai sentir.


Não adianta fingir ser aço. Aço não desenvolve câncer. E câncer mata. Assuma sua fragilidade e deixe pessoas que se importam por perto. Acreditem, elas podem fazer a diferença. Mesmo pra quem, como eu, tem sempre a situação “sob controle”.

sábado, 12 de setembro de 2009

Com olhar firme e passos fortes ela deu meia-volta e subiu as escadas que levavam ao picadeiro. A platéia silenciou-se, curiosa, e a luz voltou a ser apagada, sobrando apenas uma forte luz branca a iluminá-la. Suas roupas coloridas, desalinhadas e folgadas, estavam amarrotadas. E, em seu rosto, era facilmente possível notar que sua maquiagem estava borrada por lágrimas toscamente enxugadas nas costas dos pulsos.

Ela mordia os lábios com força. Não com insegurança, mas com raiva. E mantinha seus olhos semi-serrados, como se focalizasse algo importante à sua frente. Seus braços rentes ao corpo, imóveis, e os dedos balançando levemente, quase que imperceptivelmente trêmulos.

E quando o silêncio tornou-se absurdamente denso, o pianista começou a tocar. Apenas quatro notas fúnebres, lenta e repetidamente. Mais e mais vezes. Por longos segundos. E a luz branca tornou-se amarela lentamente, degradando devagar para o laranja, até tornar-se vermelho fogo, infernal. E ela, com seus cabelos de algodão e seu nariz vermelho, começou a balançar para frente e para trás. Perturbada. Engasgada. Destruída. Até o momento em que, concomitantemente, ela parou e olhou para cima e o pianista insistiu em apenas uma nota. Contínua. Triste. Raivosa. Estridente. Incômoda.

Com uma sincronia perfeita, ele soltou as teclas e ela gritou. Não um grito qualquer. Mas um berro forte, daqueles onde você consegue enxergar todos os demônios saindo pela boca alheia. Cheios de cólera e mágoa. Cansaço e dor. E então ela caiu de joelhos. A luz tornou-se azul. E o silêncio voltou a reinar, juntamente com o soluço da pobre coitada de cabelos desgrenhados ao chão.

Até o pianista tocar uma marchinha de carnaval e todos começarem a rir sobre ela. Demoradamente. Levianamente.

Então ela se levantou. Desceu as escadas. E foi embora. O público aplaudia, divertido. Ela sorria, um sorriso amarelo, olhando para o nada. Até desaparecer nos corredores escuros que levam aos bastidores do teatro.



Um palhaço pode subir ao picadeiro e mostrar drama, esperteza, tristeza, dor, raiva, mágoa... Ele continuará sendo apenas um palhaço. E todos rirão dele.





Do que vale você mudar seus atos externos e continuar com as vestes infantis, formadoras do seu caráter? Aqui não é o seu lugar. E eu não gosto de comédia pedagógica de circo de cidade provinciana.

sábado, 29 de agosto de 2009

carência?

Eu sinto falta de me envolver, finalmente.
E eu sinto saudade de um tempo onde nada precisava fazer tanto sentido. Bastava um sorriso, ou alguma outra coisa que hoje eu acho patética, para que o dia ganhasse cor.

É, eu sinto saudade de me tornar patético de novo. Há pelo menos quatro anos eu não sei o que é isso... Algo ficou pelo caminho. Um pedaço de mim. Talvez o pedaço mais valioso... E tênue. Aquele eu menos calejado pelos dias em companhia de pessoas tão estúpidas quanto meus pensamentos atuais.



É estranho sentir saudade de ser quem você não é mais. Sentimento novo pra mim.
E é estranho sentir-se carente.
Eu odeio essa palavra... Pra mim ela sempre vem com um quê de falta de auto suficiência que estraga a maioria das coisas.
Mas quem sou eu para discursar sobre as mazelas sentimentais do homens?

Eu nasci solitário.
Eu cresci solitário.
Eu continuo solitário.
Vai ver é isso, tenho tomado doses muito grandes de solidão depois que meu signo mudou para câncer. Uma hora transborda... Deve ser só cansaço.

O dia já amanheceu e eu ainda não consegui dormir.
Vou fechar os olhos um pouco. Talvez passe.

Ok, a quem eu quero enganar? Eu não consegui dormir durante a noite, obviamente não conseguirei agora pela manhã.
Vou à praia.
Enquanto o câncer ainda me deixa fazer isto.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Qual seu signo?

Qual seu signo, Leandro? Câncer?


Hm... Espero que não. :)

terça-feira, 9 de junho de 2009

UL2

Eu coleciono conceitos demais. E eles me aprisionam.

Eu coleciono exageros demais. E eles me aprisionam.


Onde está a linha que separa a sensata autopreservação da covardia? Que separa o meio-termo da protelação inútil? No fundo a gente sempre sabe o que é certo fazer. E no fundo a gente sabe o que a gente deseja de verdade...

Mas o que fazer quando o que a gente deseja não é exatamente o que é certo? Como controlar os dados moralistas que balançam nossas cabeças?

Sinta.
Viva.

Eu penso demais antes de fazer.
Eu faço demais antes de pensar.

Cadê o meio termo que estava por aqui antes de você chegar?


"Go make your next choice be your best choice"